Sangue do meu sangue!

“Sangue do meu sangue!”

por paulo maia

[EXPAND saiba mais]

Muitas vezes é na hora do desespero que fazemos uma reflexão e, diante do drama vivido, inacreditavelmente imposto pelo outro que deveria auxiliar, fazemos a pergunta que não quer calar: para onde estamos caminhando? Para onde a humanidade está seguindo? A resposta que grita, diante do que vivi na tarde de ontem, é clara: a lugar nenhum.

Nós estamos evoluindo para termos uma qualidade de vida melhor, não é isso? Para deixarmos para os nossos filhos um mundo melhor também. Lógico, não é? Mas como podemos imaginar um mundo melhor que pensa vinte quatro horas em dinheiro? Dinheiro é fundamental para que se viva e não para que se mate e se morra por ele, e isto é questão sine qua non para continuarmos caminhando no capitalismo. Mas acima do vil metal, como somos humanos, existem sentimentos e como fazemos parte de um todo, que chamamos humanidade, este sentimento tem um substantivo maior que é a fraternidade e está expressa no primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Como pensar este sentimento maior se as pessoas nem se olham e não se tocam? A fraternidade é irmã mais velha da generosidade, que afaga a alma, tornando o desconhecido, que havia nos ignorado, um amigo de infância.

Como acreditar que estamos em um estágio de evolução humana quando entro em uma clínica para doar meu sangue para uma amiga que, em fase terminal, agoniza com câncer em um leito de hospital particular e descubro, acidentalmente, que o que estou doando será negociado. Acredito que como eu, você também tenha ficado estarrecido. Não existe lógica neste mercantilismo pelo simples fato de que sua base é essencialmente o lucro e o que se doa, sobretudo sangue, não pode ser revestido de lucro. No mundo dos negócios, da compra e venda, não se pratica o verbo doar. E quando se busca salvar a vida, sob hipótese alguma deve existir negócio. Somente uma mente monstruosa pensa a vida alheia como forma de lucro e vê no sangue do outro o seu sustento, até porque o que ele está vendendo foi doado de boa fé e, seguramente, este é um grande indício de retrocesso que levará, sim, a humanidade a caminhar para o seu fim.

Paulo Maia é ambientalista e presidente da Organização Não Governamental SOS AVES E CIA

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Sangue do meu sangue!

“Sangue do meu sangue!”

por paulo maia

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Muitas vezes é na hora do desespero que fazemos uma reflexão e, diante do drama vivido, inacreditavelmente imposto pelo outro que deveria auxiliar, fazemos a pergunta que não quer calar: para onde estamos caminhando? Para onde a humanidade está seguindo? A resposta que grita, diante do que vivi na tarde de ontem, é clara: a lugar nenhum.

Nós estamos evoluindo para termos uma qualidade de vida melhor, não é isso? Para deixarmos para os nossos filhos um mundo melhor também. Lógico, não é? Mas como podemos imaginar um mundo melhor que pensa vinte quatro horas em dinheiro? Dinheiro é fundamental para que se viva e não para que se mate e se morra por ele, e isto é questão sine qua non para continuarmos caminhando no capitalismo. Mas acima do vil metal, como somos humanos, existem sentimentos e como fazemos parte de um todo, que chamamos humanidade, este sentimento tem um substantivo maior que é a fraternidade e está expressa no primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Como pensar este sentimento maior se as pessoas nem se olham e não se tocam? A fraternidade é irmã mais velha da generosidade, que afaga a alma, tornando o desconhecido, que havia nos ignorado, um amigo de infância.

Como acreditar que estamos em um estágio de evolução humana quando entro em uma clínica para doar meu sangue para uma amiga que, em fase terminal, agoniza com câncer em um leito de hospital particular e descubro, acidentalmente, que o que estou doando será negociado. Acredito que como eu, você também tenha ficado estarrecido. Não existe lógica neste mercantilismo pelo simples fato de que sua base é essencialmente o lucro e o que se doa, sobretudo sangue, não pode ser revestido de lucro. No mundo dos negócios, da compra e venda, não se pratica o verbo doar. E quando se busca salvar a vida, sob hipótese alguma deve existir negócio. Somente uma mente monstruosa pensa a vida alheia como forma de lucro e vê no sangue do outro o seu sustento, até porque o que ele está vendendo foi doado de boa fé e, seguramente, este é um grande indício de retrocesso que levará, sim, a humanidade a caminhar para o seu fim.

Paulo Maia é ambientalista e presidente da Organização Não Governamental SOS AVES E CIA

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